quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Capítulo 1 - Famosa "quem"?

            Por que ou para que ler um livro autobiográfico sobre a experiência de uma “famosa quem”*? Se essa pergunta passou pela sua cabeça, não se preocupe. Passou primeiro pela minha.
A ideia de escrever um livro não é recente, confesso. Mas ser a personagem central não estava nos meus planos. Aliás, relatar em primeira pessoa uma parte da minha própria história estava totalmente fora de cogitação. Sempre considerei a minha vida comum demais para isso.
A intenção de escrever um dia era certa, mas o tema ainda era indefinido. Até que a minha própria vida foi se revelando uma ótima história para ser contada e compartilhada. Uma história de altos e baixos. Uma história de sucesso e fracasso; de persistência e desistência; de perdas e ganhos; de sonho e realidade; e, sobretudo, de SIM e de NÃO.
O despertar dessa ideia foi ganhando corpo e pronto. De repente e sem querer eu estava diante da temática do meu livro. Mas antes de decidir expor fragmentos da minha vida eu me questionei muito sobre a real utilidade e importância que a história de uma pessoa comum e desconhecida poderia ter para os leitores ou até que ponto a minha experiência poderia contribuir, interferir ou transformar a história desses mesmos leitores. 
Depois de tentar responder a todas essas questões cheguei a algumas conclusões. Uma delas e, talvez a mais curiosa, é que não faço a menor ideia do impacto que o conteúdo de “Diante do Não, Disse Sim” poderá causar nas pessoas que, por uma razão ou por outra, decidirem lê-lo até o fim. Isso vai depender de cada leitor e do momento pelo qual está passando.
 “Diante do Não, Disse Sim” nada mais é do que o reflexo fiel do que vivi, do que sou e, principalmente, para onde as escolhas que fiz ao longo da minha vida me levaram e o que elas me possibilitaram ser. O livro em si é fruto de uma necessidade primeira, pessoal e talvez até egoísta, de registrar as voltas que a vida deu em minha vida.
Em princípio, não tinha a pretensão de torná-lo um produto de prateleira. Pensei que pudesse, no máximo, ocupar uma gaveta. Mais precisamente uma das minhas gavetas. Portanto, trata-se apenas da tentativa de manter sempre viva e fresca a memória do meu tempo, em qualquer tempo e, sobretudo, compartilhar a minha história e o valor intangível dos sonhos e ideais com os meus amigos, familiares e até mesmo comigo.
Como não tinha a pretensão de publicá-lo, fiquei muito à vontade para escrever com liberdade, simplicidade e transparência. A partir desse contexto, foi fácil ou, quase fácil, selecionar partes da minha vida e transformá-las em capítulos, sem nenhuma pretensão literária.
A temática principal das páginas que se seguem é a relação forte, intensa e presente da dança e da arte em minha vida. Por mais que a vida me conduzisse para caminhos opostos à área cultural, em determinados momentos, algo sempre me trazia de volta. Como se um fio invisível e condutor estivesse preso a mim e puxasse-me à medida em que distanciava-me demais de minha real vocação ou quem sabe destino.   
As inúmeras páginas que, inicialmente, tinham o propósito único de ocupar o fundo da minha gaveta possuem um conteúdo com potencial para atingir não apenas pessoas ligadas ao mundo da dança e da arte. Ao contrário, nelas eu traço paralelos do cotidiano de qualquer pessoa, propondo uma reflexão bem mais ampla à cerca das escolhas que competem a nós mesmos, todos os dias, e que podem mudar totalmente o rumo das coisas.
E, agora, enquanto escrevo, percebo que acabo de me contradizer no que diz respeito à afirmação feita no início do capítulo, quando confessei não ter menor idéia da importância e do impacto que ele pode causar nas pessoas que o lerem. Sinceramente não me incomoda a ideia de ter entrado em contradição e fiz questão de mantê-la no livro porque é preciso admitir que a contradição existe, faz parte do nosso dia a  dia e, por vezes, se faz necessária.
Somos uma somatória das experiências adquiridas ao longo de nossas vidas e, por essa razão, passamos parte da nossa existência convivendo e superando conflitos internos e administrando os externos. Tudo isso, porque somos regidos por um sistema que nos impõe que cada pergunta tenha duas possíveis respostas: a certa e a errada. Em contrapartida, esse mesmo sistema também nos diz que o ideal é buscarmos o caminho do meio: o equilíbrio. Está aí, mais uma contradição e tanto!
Em síntese, afirmo que, na realidade, o conteúdo desse livro é importante, sim. É importante para mim. Afinal, trata-se de parte da minha vida registrada em papel, mas certamente ele também terá a sua importância e valor para os que se identificarem, de alguma forma, com essa minha vida que é única, mas com enredo não exclusivo. Aos que resolverem ler além das palavras, garanto uma leitura, no mínimo, interessante. Sim, porque o livro tem esse poder. Ele permite que ultrapassemos as fronteiras do concreto.
Aos leitores que, mesmo com essas sinceras declarações, optarem por dar continuidade à leitura, na esperança de encontrar respostas, agradeço o voto de confiança e faço um pedido: se as encontrarem compartilhem comigo, através do e-mail plimeres@gmail.com. Irei responder pessoalmente todas as mensagens que receber.
A partir de agora, convido você para ingressar nos próximos capítulos, nos quais irei abordar a influência que essas contradições e conflitos têm sobre as escolhas humanas, tomando o meu exemplo como referencial. Espero que você tire o melhor proveito possível do turbilhão de momentos, ideias, sensações, impressões e sentimentos contidos neles.
Te encontro nas próximas páginas?
  
* Famosa “quem” - Termo que uso freqüentemente quando quero me referir a pessoas que ninguém sabe quem são. Há também os casos em que uso essa expressão para falar de pessoas que pensam que são importantes, quando na verdade não são. Nesse caso específico eu questiono: “Ele (a) é o famoso (a) quem mesmo”?

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