Sim...a si mesmo
A “famosa quem” chamada Patricia Limeres, como ela mesma diz, decidiu escrever um resumo de sua história de vida até esta edição, não para ser publicado. Era apenas uma reflexão sobre fases de sua vida, mas ela decidiu não ser egoísta e usou de uma de suas virtudes – a fraternidade – para compartilhar suas experiências com outros. Afinal, sempre tem algo que alguém aprende com a vivência de outras pessoas.
Mesmo sem ter sido sua intenção, ela quis mostrar que, de fato, não é preciso ser um best seller para expor memórias e sentimentos, dores e prazeres, para encantar com a força da simplicidade e ajudar outros a compreender e enfrentar desafios.
O fato de Patricia contar as voltas que deu na vida, ou que a vida deu nela, como diz, ganha uma autenticidade excepcional não só porque não seria publicado, mas porque traz a linguagem da alma, temperada com as conexões da razão e do bom senso.
É um livro que ensina sobre a vida, que pode (e deve) ser lido por pessoas de qualquer idade, mas que provavelmente ganhe um peso maior se for absorvido pelos mais jovens, sobretudo, os adolescentes e os que vêm um pouquinho depois dessa fase, tão, tão, tão fantástica no aspecto da transformação do ser.
Embora pareça separar a arte do jornalismo, em alguns momentos do texto, ela acaba por mostrar que ambas caminham juntas e, de certa forma, tudo pode ser arte, principalmente a vida, que nos é dada para moldarmos a nós mesmos como desejarmos, juntando a esse querer o sentir, buscando equilibrar razão, emoção, intuição...
Sua história de vida demonstra uma força desde quando era pequena, o que a torna um exemplo, mesmo quando ela pensa que pulou fases. Que nada! Ela é que pensa isso. Sua alma de guerreira guardou para agora a fase da criança que nunca deixa de ter brilho nos olhos e esperança na postura e atitudes, mesmo quando ela dá uma de pessimista, como se quisesse provocar a si mesma para dar mais voltas por cima. Como se dissesse não, só para motivar a busca do sim e lutar.
E ela disse tanto sim construtivo que, além de plantar uma árvore e escrever um livro, como no provérbio árabe, teve filhos sem engravidar, já que, como voluntária de projetos sociais, plantou sementes de sonhos de vida em crianças que tinham poucas oportunidades para perceber horizontes.
No movimento da dança do corpo e das letras, sua magia acabou provando que na vida não existe sucesso ou fracasso, mas situações que nos agradam e outras que não nos agradam, porque não atendem às nossas expectativas ou desejos. Uma coisa, porém, é certa: sendo gostoso ou não se sentir, tudo ensina, como ensina Patricia, que soube ter coragem de dizer sim a si mesma e que, agora, abre seu coração, para que você não se acomode no não.
Luiz Carlos Bezerra
Jornalista e professor universitário
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